Segunda-feira, 15 de Agosto de 2011

written in the stars- capítulo 1

É o primeiro, espero corresponder as vossas expectativas. É uma história completamente diferente das que tenho escrito por isso desculpem-me se não gostarem.

 

Todos se retiraram do tribunal. Margareth Green saiu cabiz baixo, num passo acelerado, não queria ver ninguém à frente.

- Margareth, onde vais? – gritou a tia, vendo-lhe andar a passo de corrida.

- Deixa-me. – proferiu pesadamente.

Olhou para trás e viu que todos a seguiam, afinal, depois das loucuras dos últimos meses ninguém sabia o que esperar. Este ano, Marg já tinha fugido de casa pelo menos cinco vezes, sem contar com aquelas que foi apanhada a escapar pela janela. A vida não lhe metia medo, pelo contrário, desde a morte dos seus pais que ela faz de tudo para ver os outros sofrerem. Talvez a dor dela fosse acalmada ao ver a dor dos outros, como por exemplo, de todas as vezes que fugia da casa dos tios, deixava-os com o coração nas mãos. Todo o tipo de ajuda tinha sido dada a Marg mas ela simplesmente não reagia. Passava os dias de calor trancada no seu quarto, com uns fones nos ouvidos, o que não era nada normal para pessoas da idade dela. Um adolescente normal sairia à rua com os amigos e sentaria-se numa esplanada a sentir os raios de sol tocarem-lhe na pele. Já ela deixava-se ficar por casa a fumar. Depois embebedava-se e adormecia. Quando acordava, repetia o mesmo processo. Todos os dias, desde o dia do acidente, Marg desligava-se do mundo. Colocava sobre si uma barreira anti-choque e ninguém se aproximava dela, até que, a partir de uma certa altura, ninguém o queria mesmo.

A chuva de Londres, fazia-se ouvir fortemente e a cara de Marg estava completamente borrada. A maquilhagem carregada que antes usava, agora escorria-lhe pela cara. Passou uma mão no olho limpando as lágrimas que lhe escorriam. Os seus olhos cor de relva brilhavam, carregados de lágrimas. A dor era de salientar. Marg estava a recordar-se dos bons momentos que passava com os seus pais, mais propriamente dos momentos em que quando chovia, saía de casa com o seu pai e se punham a chapinhar em todas as poças que viam, contemplando as gotas de chuva a cair do céu. Os soluços estavam a ficar mais controlados e agora as lágrimas já não espreitavam. Marg parou, respirou fundo e caminhou devagar, olhando fixamente para um prédio bem arranjado do Norte de Londres. A música que vinha de dentro estava bem alta para que pudesse ser ouvida cá fora. Marg, aproximou-se da janela fechada e espreitou. Belas raparigas, na sua melhor forma, estavam na ponta dos seus pés mirando-se no espelho, dançando ao som da música. Era uma escola de ballet. Em tempos, Marg foi bailarina, uma das melhores de Londres.

- Não vais chorar outra vez. – disse num tom calmo e suave.

Abanou a cabeça e seguiu o seu caminho. Estava longe de casa mas também não se importava com aquilo. Em breve já não chamaria aquela de casa. O tribunal decidiu que Marg iria ficar ao encargo de um orfanato, daí a sua frustação. Estava bem na casa dos tios, ao menos lá ninguém mandava nela, sim, porque ela não deixava que os tios dessem uma palavra sobre a sua vida.

Estava a ficar escuro e os tios já deviam ter ligado para o seu telemóvel milhões de vezes. Boa sorte nisso, está desligado. Pensou ela. Avistou uma paragem de autocarros, pôs a mão aos bolsos e viu que tinha alguns trocos. O suficiente. Sentou-se e esperou que algum aparecesse.

Depois de quase meia hora à espera passou um.

- Carteret St, por favor. – informou o motorista do seu destino.

O senhor de idade assentiu com a cabeça e ela sentou-se numa das cadeiras do meio. Finalmente decidiu ligar o telemóvel. Quinze chamadas não atendidas. Estava prestes a guardar o telemóvel quando este começa a tocar. Ela olha para o visor e vê que é a tia. Decide atender para a tranquilizar.

- Onde é que tu andas Margareth? – perguntou com uma voz preocupada a tia. – Ando atrás de ti à meia hora e não te encontro!

- Estava a passear…

- Com esta chuva? Vais ficar doente filha, volta pra casa. – pediu, ao contrário de qualquer outro “pai” que teria mandado.

- Estou no autocarro.

- Demoras muito?

- Não tia. Estou a chegar, volta pra casa e eu chego logo, logo.

- Está bem querida, sabes que ainda tens de fazer as malas. Amanhã vais para o orfanato. Depois falámos melhor, até já. – desligou.

Marg queria tudo menos ir para um orfanato. Lá irão controlá-la. Ela já não poderá fumar nem beber. Não poderá sair a que horas quiser. Lá a vida dela será uma prisão autêntica. Os miúdos de lá irão atazaná-la até ela dar em doida… De repente Marg sente o autocarro fazer uma travagem brusca, ouve o motorista gritar, uma luz ofuscante aparece do lado direito dela e…

- Nãooooooooo! – gritou sobressaltada, assustando o motorista que estava a tentar acordá-la.

- Acalme-se menina, queria só avisá-la que chegámos. – disse o motorista afastando-se dela.

- Muito obrigada. – gaguejou e levou a mão ao peito.

Percorreu o corredor do autocarro, desceu as escadas e viu-o virar na esquina mais à frente.

Aqueles sonhos perseguiam-na, já eram habituais mas ela ficava sempre assustada com todos eles, até havia vezes que acordava com a cara inundada em lágrimas.

Sentou-se um bocado nas escadas da casa e tentou controlar-se. Quando já estava mais calma, levantou-se e tocou à campainha.

- Entra querida. – a tia abriu a porta imediatamente.

Ela entrou e reparou que as malas que iria levar já estavam ao pé das escadas. A tia percebeu que ela as tinha visto e fez sinal para que ela se sentasse no sofá.

- Desculpa querida, eu não queria que passasses por nada disto. Sabes que eu e o teu tio – entrou na sala e sentou-se ao pé da tia – gostámos muito de ti. Isto só está a acontecer devido às tuas atitudes. Não podíamos continuar a tomar conta de alguém que quando lhe dá na cabeça, foge de casa. – falava com um grande desgosto na voz.

- Desculpem. – foi a única coisa que lhe saiu. – Posso ir fazer as malas? – levantou-se.

- Sim, se precisares de ajuda, chama-me.

Pegou nas malas e subiu para o seu quarto. Quando entrou, fechou a porta e encostou-se a ela observando tudo. Iria sentir saudades do seu refúgio ao longo deste ano. Tinha sido ali que tinha passado dias e dias, fechada, ela e a sua dor. Caminhou até à cama e pousou a primeira mal lá. A primeira coisa que pôs lá dentro foi a foto em que estava ela, o seu pai e a sua mãe. A sua única recordação deles. Continuou a fazer as malas e quando as acabou, esticou-se na cama e adormeceu.

 

 

Gostaram? Sejam sinceras, por favor.

 

se quiserem que vos avise quando postar um novo capítulo, digam neste post.

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21 segredos:
De copodeleite a 15 de Agosto de 2011 às 17:39
Ainda é cedo para estar aqui a comentar mas noto em relação às fics anteriores um amadurecimento da escrita. :) beijinho


De audrey lou riddle a 15 de Agosto de 2011 às 17:41
se ouvia x)


De copodeleite a 15 de Agosto de 2011 às 17:42
o que achas x) ?


De Filippa a 15 de Agosto de 2011 às 17:50
gostei :)


De copodeleite a 15 de Agosto de 2011 às 18:10
pois xDD


De ▲ máei a 15 de Agosto de 2011 às 18:12
gostei, fico ansiosa por mais!
ainda estou a ler a outra, tenho muito para ler xD


De smolder. a 15 de Agosto de 2011 às 18:20
eu segui toda a mínima palavra que escreveste numa história até agora, e digo-te que noto uma grande evolução neste primeiro capítulo, a tua escrita ficou ainda melhor, e se já tinhas o dom de me fazer ficar fã, esta história já me cativou totalmente.
o capítulo está excelente, não tenho palavras mesmo, eu senti-me como se estivesse lá a viver cada momento, e quando ela teve o pesadelo do acidente, eu senti o coração a mil, parecia mesmo real. isto só costuma acontecer quando estou a ler mesmo um livro que goste, por isso parabéns. juro-te que ADOREI! e quero mais ^^ e claro que quero ser avisada quando postares os outros capítulos
não desistas desta histórias, e continuam a escrever com esta paixão, este dom que já era bom em si e agora floresceu e está magnífico, e continua a amadurecer e a evoluir cada vez mais
parabéns, gostei imenso :)


De ▲ máei a 15 de Agosto de 2011 às 18:23
o mal é que o meu coração anda muito indeciso x:


De ▲ máei a 15 de Agosto de 2011 às 18:36
não, estou indecisa entre ficar com ele ou mandá-lo passear.


De smolder. a 15 de Agosto de 2011 às 20:07
e eu adoro histórias assim com muito drama, demonstram melhor a qualidade do autor e têm uma emoção diferente *-*
não tens de agradecer querida, tu mereces... fico feliz por saber que todos os comentários de que fiz desde o início te deixaram feliz :)
as tuas palavras são muito queridas e deixam-me muito contente, eu sigo-te desde o princípio porque sempre achei que valias muito a pena e que escrevias muito bem *-* vais postar capítulos semanalmente, ou com alguma espécie de horário, ou vais postar quando achares que deves? :3


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